Não foi propriamente uma surpresa para ninguém. Bruno de Carvalho foi reeleito pelos sócios para mais quatro anos de mandato à frente do Sporting. Os primeiros anos da sua governação no clube de Alvalade foram marcados por alguma polémica, mas o atual presidente já deixou uma marca bem visível por lá. Qual o seu legado?

Sim, ainda não foi campeão, um objetivo que foge aos leões desde 2001 e 2002. Para chegar ao sonho de tornar o Sporting o novo rei em Portugal, Bruno de Carvalho contratou aquele que é considerado por muitos o melhor treinador em Portugal, Jorge Jesus. O técnico é pago a peso de ouro. Recebe cinco milhões de euros por ano. Está entre os treinadores mais bem pagos da Europa.

Com isto, engordou a folha salarial da SAD para níveis que a UEFA considera perigosos para a sustentabilidade das finanças do clube. Mais de 70% das receitas obtidas vão diretos para pagar salários da equipa, incluindo o staff técnico.

Mas se a despesa da SAD aumentou de forma considerável nos últimos anos, o certo é que com Bruno de Carvalho o clube passou a rentabilizar os seus ativos. A contratação de Jorge Jesus, com o seu historial de valorização de jogadores, fala por si.

Foi com Bruno de Carvalho que o Sporting registou o maior lucro trimestral da sua história, um desempenho conseguido sobretudo com a venda de jogadores. E foi com o presidente agora eleito que os leões voltaram a dominar o mercado de transferências no último verão, algo que não acontecia desde que Ronaldo foi vendido ao Manchester United, na época 2003-2004.

Outro dos pontos altos do último mandato de Bruno de Carvalho teve a ver com a renegociação dos direitos televisivos. O contrato com a NOS vale mais de 500 milhões de euros, é válido por 12 anos. Mas como compara com os negócios televisivos dos rivais Benfica e FC Porto?

Polémicas

Não obstante os resultados financeiros positivos, outra marca que Bruno de Carvalho deixou bem vincada (e mostrou isso durante a sua campanha) foi a da confrontação com a Doyen.

A estratégia da Doyen é tão simples: compra uma percentagem dos direitos económicos de um jogador, tornando-se a terceira parte interessada num possível negócio; espera que o jogador consiga evoluir para possibilitar uma transferência por valores mais elevados; e dessa transferência cristalizar uma mais-valia. Foi o que fez com o Sporting no negócio Marcos Rojo.

Só que as coisas não correram bem para Bruno de Carvalho. O tribunal deu razão ao fundo no diferendo com o clube no caso Rojo.

O caso remonta a 2014, quando o Sporting vendeu o passe do defesa Marcos Rojo ao Manchester United. Para finalizar a operação, o Sporting teve de rescindir contrato com a Doyen, que prontamente exigiu 12 milhões de euros como compensação. Bruno de Carvalho fez finca pé e avançou para tribunal. Com a decisão do Supremo da Suíça, este capítulo está encerrado: os 12 milhões são mesmo para pagar.

Sobre o mercado de transferências, lembra-se também quando Bruno de Carvalho quase vendeu Slimani por 80 milhões? Mais do que polémico, o episódio mostra bem como o presidente leonino gosta de ficar bem perante as câmaras.

A eventual extinção da equipa B poderá ser um dossier complicado de gerir para Bruno de Carvalho no seu segundo mandato. O Sporting B está em risco de terminar já na próxima época, caso o mau momento desportivo e financeiro se mantenham. A segunda equipa leonina encontra-se abaixo da linha de água da Ledman LigaPro e já despediu o seu treinador João de Deus.

Seja como for, por mais polémicas ou elogios que se possam fazer a Bruno de Carvalho, o próximo mandato será de exigência máxima. Com as contas apertadas e os sócios a reclamarem o título de campeão nacional, o cenário para o novo presidente avizinha-se desafiante.

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