Não há muitos fundos de investimento que se podem gabar de retornos superiores 100%. Para a Doyen, isso é apenas mais um dia no escritório. Entramos no mundo fantástico do fundo que está no centro da polémica que envolve jogadores, clubes, intermediários, UEFA e FIFA.

Quando Geoffrey Kondogbia se transferiu do Sevilha para o Mónaco no final de Agosto de 2013, a troco de 20 milhões de euros, Nélio Lucas (CEO da Doyen) só podia esfregar as mãos de contente, pois acabava de realizar o negócio mais lucrativo do fundo até à época: de um investimento de 1,5 milhões de euros por 50% do passe do médio francês conseguiu um lucro líquido de quase oito milhões de euros em pouco mais de 13 meses. Rentabilidade do negócio? 524%. Sim, não foi engano: 524% de retorno do investimento. Toque de Midas? Parece.

Em mais nenhum negócio esta sociedade de investimento conseguiu um retorno tão elevado. Mas não se pode dizer que as coisas estejam a correr mal. Antes pelo contrário. Nos dez negócios mais rentáveis que realizou até Março de 2015 a Doyen nunca registou um retorno abaixo de 100% – isto assumindo que o braço-de-ferro em torno transferência de Marcos Rojo que opõe o fundo de investimento ao Sporting seja resolvido a favor do primeiro, como tudo indica que seja.

Um dos negócios mais mediáticos da Doyen prendeu-se com a transferência de Mangala do FC Porto para o Manchester City, por sinal o terceiro mais rentável daquela sociedade. O defesa-central foi vendido aos citizens por uma quantia de 40 milhões de euros, valores que surpreenderam um pouco o mundo do futebol. Assim, de um investimento de pouco mais de 2,5 milhões de euros a Doyen conseguiu realizar uma mais-valia superior a oito milhões de euros, o que representou um retorno de 314%.

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A estratégia da Doyen é tão simples quanto arriscada: compra uma percentagem dos direitos económicos de um jogador, tornando-se a terceira parte interessada num possível negócio; espera que o jogador consiga evoluir para possibilitar uma transferência por valores mais elevados; e dessa transferência cristalizar uma mais-valia.

Não obstante este risco, até final de Março de 2015, a Doyen registava um lucro líquido de quase 40 milhões de euros relativos a três anos de negócios, garantindo um retorno de 30% nesses 36 meses de operações.

Mas esta estratégia pode ter os dias contados. Isto porque a UEFA pondera impedir os os clubes recorrerem a terceiras partes, como empresários ou fundos, para adquirir jogadores que não poderiam comprar sozinhos. Ciente desta possibilidade e da má reputação que foi angariando junto de adeptos e clubes, a Doyen não baixou os braços. Além da batalha legal para impedir que a UEFA avance com legislação para impedir a presença de fundos de investimento enquanto proprietários de jogadores, esta sociedade começou a diversificar os seus investimentos.

O que é hoje a Doyen?

A Doyen divide o seu trabalho em quatro departamentos: consultoria, representação de jogadores, marketing e direitos de imagem e TPI (Third Party Investment).

No seu site, esta sociedade com sediada em Londres define-se: “A nossa rede sem paralelos no futebol mundial permite facilitar transferências de jogadores, permitindo aos clubes com quem trabalhamos construir equipas fortes. (…) A Doyen Global é um dos principais actores da indústria de entretenimento desportivo, representando do alguns dos maiores atletas a nível mundial. Através da sua experiencia e profissionalismo, desenvolve a marca e parcerias comerciais para alguns dos melhores desportistas da actualidade, para que possam manter-se focados em conquistar títulos, sabendo que fora de campo tem a melhor equipa a apoia-los nos seus outros objectivos”.

Enquanto espera por uma decisão favorável que permita manter os investimentos em jogadores, a Doyen vai apostando as fichas na representação de jogadores (tem um carteira de dez jogadores, incluindo os portugueses Lucas João, Ricardo Batista, Sérgio Oliveira e Miguel Santos) e treinadores (Simeone e Carlos Carvalhal são os dois técnicos representados pela Doyen) e na exploração de marketing e direitos de imagem.

Neste campo, aliás, a 2 de Agosto de 2012, a Doyen adquiriu 60% dos direitos de imagem de Neymar, pagando de seis milhões de euros ao internacional brasileiro. A 10 de Março este negócio apresentava um défice de quase quatro milhões de euros, tendo a Doyen intermediado contratos com a Ambev, Sabritas, Police, Klab, Toyota, Fuji TV e Sands.

A Doyen liderou ainda o lançamento internacional do Campus Xavi, através do projecto Campus Xavi World Tour, negócio que permitiu lucrar 625 mil euros a partir de um investimento de 1,5 milhões de euros.

Todos os negócios somados, a Doyen realizou investimentos de quase 140 milhões de euros, alcançando um resultado líquido de 33,4 milhões de euros em três anos, desempenho que lhe permitiu alcançar um ROI de 40,68 por ano. Este lucro de 33,4 milhões foi repartido pelos seus dois accionistas: a sociedade Bennington (do turco Malik Alik) ficou com 26 milhões de euros e a sociedade Wood Gibbins (uma sociedade de Nélio Lucas com registo de actividade em Malta) ficou com 6,6 milhões.

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