Negócios realizados pela Energy Soccer, de Alexandre Pinto da Costa, com o FC Porto violaram as regras da intermediação de transferências de jogadores, numa situação que beneficiou diretamente o filho do presidente dos dragões.

A lei portuguesa diz que quem exerce a atividade de empresário desportivo só pode agir em nome e por conta de uma das partes. No entanto, em pelo menos duas transferências, Alexandre Pinto da Costa fez-se de representante das duas partes e recebeu comissões a dobrar, segundo avança o semanário Expresso (acesso pago), que cita documentos de uma investigação internacional chamada Football Leaks, a cargo da EIC – European Investigative.

Avança o semanário que os dois episódios ocorreram em 2013. Primeiro na transferência de Carlos Eduardo do Estoril Praia para o FC Porto, em que Alexandre Pinto da Costa e a Energy Soccer recebeu 100 mil euros da SAD azul-e-branca e ainda 68,4 mil euros do clube da Linha. O outro caso ocorreu com o empréstimo portista do defesa Rolando ao Inter Milão: também aqui a Energy Soccer recebeu 60 mil euros do FC Porto como comissão por ter intermediado a operação e outros 75 mil euros do clube italiano pelo exercício das mesmas funções de intermediação. Em ambos os casos, a lei é clara: é proibido jogar nos dois lados dos tabuleiros, pelo que a comissão de uma das partes são ilegais.

Críticas aos Pinto da Costa

A relação de proximidade entre a Energy Soccer de Alexandre Pinto da Costa com o clube que é dirigido com mão de ferro pelo seu pai, Jorge Nuno Pinto da Costa, tem sido fortemente criticada justamente por estabelecer laços de cumplicidade familiares dentro de uma estrutura profissional com é a SAD do FC Porto.

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Em entrevista ao Jornal de Notícias, a 1 de abril deste ano, Alexandre Pinto da Costa afirmou que não tinha qualquer influência no seio do clube. “A minha influência no FC Porto é zero“, sublinhou, sem esconder, ainda assim, a “honra e prazer em ser filho do maior presidente da história do futebol mundial”.

Angelino Ferreira, que era até há pouco tempo vice-presidente da SAD portista, é um dos críticos dessa relação. “Mesmo que não haja conflitos de interesse legais, há questões de transparência”, afirmou o antigo responsável dos dragões ao Expresso no mês passado.

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No total, desde que a Energy Soccer foi criada, em julho de 2012, Alexandre Pinto da Costa já recebeu comissões com jogadores do FC Porto no valor de 1,75 milhões de euros.

O primeiro negócio da empresa surgiu imediatamente três meses depois da sua constituição. Estávamos em setembro de 2012, quando a Energy Soccer ganhou 25 mil euros com a venda do lateral uruguaio Alvaro Pereira ao Inter Milão. Só que o pagamento não foi realizado diretamente pelo FC Porto, mas pela IG Teams & Players.

A Energy haveria de estar envolvida em mais negócios. Com Rolando, por exemplo, ganhou 235 mil euros com o empréstimo do defesa ao Nápoles (100 mil euros) e, posteriormente, ao Inter Milão (60 mil pagos pelo FC Porto e 75 mil pagos pelo clube italiano).

(Créditos da foto: Expresso)