UEFA, Concacaf e AFC discutem competições rivais à FIFA e pressionam saída de Infantino

Ago 11, 2026

Gianni Infantino está sob alta pressão depois de UEFA, Concacaf e AFC terem pedido a sua demissão da liderança da FIFA numa carta aberta em que pugnam por “uma liderança que sirva o futebol em vez de procurar dominá-lo”.

Numa escalada das tensões que ameaça provocar uma divisão profunda no futebol mundial, depois de o líder da FIFA ter tentado vender uma participação numa empresa que seria criada para gerir a parte comercial da Copa do Mundo, estas três confederações acusam Infantino de “quebra de confiança por meio do engano” e de se ter colocado acima do coletivo que lhe confiou a autoridade.

A carta é assinada pelo presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, e pelos homólogos da AFC e Concacaf, Sheikh Salman bin Ibrahim Al Khalifa e Victor Montagliani, respetivamente.

Embora as palavras sejam duras, estas três confederações prometem agir. Segundo a Bloomberg, já decorrem negociações para organizarem competições rivais à FIFA. Essas conversas estão ainda numa fase preliminar, mas serve de aviso para Infantino e para a FIFA.

UEFA, Concacaf e AFC condenam o facto de Infantino não ter reconhecido que a proposta de criar a FIFA Forward Enterprise “era intrinsecamente errada”. “Continua a não haver qualquer reconhecimento de que a tentativa de vender uma participação no Campeonato do Mundo da FIFA constituiu um grave erro de avaliação — não apenas um deslize processual, mas uma quebra fundamental da confiança das próprias instituições que a FIFA existe para servir”.

Também denunciam que a proposta foi apresentada num prazo apertado, sem uma consulta significativa e levada a cabo antes de as federações-membro poderem analisar devidamente os seus termos. E isso “não é fruto de um descuido — é o resultado de uma estratégia destinada a limitar o escrutínio”, acusam.

A carta também se refere à reunião convocada pela FIFA que teve lugar em Marrocos. “Nenhum membro do Conselho da FIFA nem das Federações-Membro foi convidado a participar. Apenas o comité de gestão, composto por quadros superiores ao serviço da FIFA, esteve presente”.

“Esta recente reunião, em que um número restrito de membros do Comité de Gestão da FIFA — e não o Comité na sua totalidade — foi convocado no estrangeiro, em vez de os dirigentes se deslocarem a Zurique para se dirigirem ao coração da FIFA, apenas reforça estas preocupações e representa uma continuação do próprio padrão de conduta que nos trouxe até este momento. Não é a conduta de um guardião do futebol, mas sim de alguém que acredita que o futebol lhe deve prestar contas”

Os três presidentes apelam a uma avaliação independente, conduzida por um órgão externo à FIFA, e dirigem-se diretamente aos países que receiam perder ajuda financeira com outro líder no comando.

“Não se trata de nenhuma Federação-Membro perder o apoio que conquistou, apesar do alarmismo dirigido aos nossos membros para sugerir o contrário. Nem se trata de rever a expansão das competições, a atribuição de vagas para o Campeonato do Mundo ou quaisquer outras decisões tomadas colectivamente. Essas decisões foram tomadas em conjunto e devem ser mantidas”, escrevem.

“Trata-se de algo mais fundamental: a integridade do jogo e a integridade daqueles que foram eleitos para o liderar.”

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