Após a reestruturação do futebol inglês na última década do século XX, os clubes de terra de Sua Majestade garantiram vários benefícios fiscais, principalmente os emblemas do principal escalão. Atualmente, é possível verificar que até os clubes de divisões secundárias da pirâmide do futebol britânico têm orçamentos ao nível de várias equipas de primeira divisão espalhadas pela Europa. No entanto, uma contratação do Salford City tem marcado o panorama do futebol inglês.

O Salford City, emblema da Vanarama League (5ª divisão), garantiu a contratação de Adam Rooney, ex-jogador do Abeerden, a troco de 420 mil euros (!), um valor inédito numa divisão semi-profissional. O avançado irá receber 4500 euros semanais, o que significa um vencimento anual de 217 mil euros. Isto é possível graças à peculiar realidade do clube de Kersal: 50% do clube é detido pelo empresário singapuriano Peter Lim, que também tem 82% do Valencia CF, enquanto que os outros 50% estão divididos por cinco referências da famosa “Turma de 92” do Manchester United (Ryan Giggs, Gary Neville, Phil Neville, Paul Scholes e Nicky Butt).

Adam Rooney “trocou” a Liga dos Campeões pela… 5ª divisão inglesa.

O investimento avultado do Salford City tem sido alvo de várias críticas nos últimos anos. O presidente do Accrington Stanley, clube da terceira divisão, refere que o Salford está a “comprar” o acesso ao Football League. Mas a verdade é que o clube tem tido os resultados pretendidos. Desde 2014, o Salford garantiu três subidas de divisão e está a um passo de subir aos campeonatos profissionais.

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Para além dos valores em causa, o próprio jogador transferido tem sido questionado sobre a sua mudança de ares. Rooney mudou-se do Abeerden, equipa que disputa o acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões, para um escalão não-profissional. O jogador, que marcou 88 golos ao serviço dos “Dons”, confessa que ficou chocado com a reação do mundo do futebol e que não conseguiu “olhar para o telemóvel e redes sociais durante dias”. Rooney defende que podia ter ficado na primeira divisão escocesa, mas que preferiu voltar a Inglaterra (já passou pelo Stoke e Birmingham) e abraçar o ambicioso projeto do Salford City.

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