Todos os rankings do futebol, sobretudo os que envolvem dinheiro, são polémicos e geram controvérsia. O caso das transferências não é excepção. Com os milhões a circular cada vez mais rápido, e o advento das transferências cruzadas, em que uma parte do valor é pago com o passe de outro jogador, hoje em dia é cada vez mais difícil responder à questão que todos os adeptos do futebol colocam: afinal, qual é o jogador mais caro de sempre?

O ranking oficial começa com Cristiano Ronaldo, que em 2009 trocou o Manchester pelo Real Madrid por cerca de 100 milhões de euros, e prossegue com Gareth Bale, Luis Suárez e Neymar Jr. – todos jogadores dos gigantes espanhóis, Real Madrid e Barcelona. O Top-10, compilado pela Wikipedia com base em fontes diversas, fecha a listagem com Di María, Kevin De Bruyne, James Rodríguez, Zinedine Zidane, Sterling e Ibrahimovic. A esmagadora maioria destes negócios multimilionários teve lugar de 2009 para cá.

Mas a lista é menos estanque e definitiva do que a maioria das pessoas acredita. É que uma boa parte dos negócios foram feitos não em euros mas noutra divisa. E como a cotação do euro tem oscilado imenso ao longo da última década e meia, um ranking feito com base noutra moeda acaba quase inevitavelmente por resultar numa ordem diferente para as transferências mais caras. De facto, basta olhar para as transacções em milhões de libras, e não em euros, para se ver mexidas no topo da tabela.

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Surpresa, surpresa: afinal Ronaldo não foi o jogador mais caro de sempre. Tanto Suárez como Bale custaram ligeiramente mais ao Barcelona e Real Madrid do que os 80 milhões de libras que Florentino Pérez pagou ao Manchester pelo astro português.

Mas mais importante do que a divisa em que se faz o negócio é, provavelmente, o facto de as transferências se fazerem em anos muito diferentes. Esta questão influencia os valores porque uma libra paga em 2000, por exemplo, vale muito mais do que a mesma libra paga em 2015, devido ao efeito da inflação. Tendo isto em conta, o Finance Football ajustou os preços de todas as transferências para levar em conta a inflação de cada ano, resultando na seguinte tabela.

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A tabela mostra como jogadores comprados em períodos mais distantes sobem facilmente no ranking. Zidane, por exemplo, não aparece muito longe do Top-3, composto por Bale, Ronaldo e Suárez. E na lista aparecem jogadores como Figo e Hernán Crespo, cujas transferências foram astronómicas na altura mas que perderam importância desde então. A comparação das tabelas mostra como esta ‘perda de importância’ resulta sobretudo do facto de os preços terem subido desde 2000 para cá – depois de se levar em conta a inflação, tanto um como o outro jogador aparecem no Top-15.

Nota: O Finance Football está a compilar dados para aplicar a mesma metodologia ao campeonato português.