Arranca esta segunda-feira o período de subscrição do empréstimo obrigacionista da SAD do Benfica. Os encarnados pretendem obter 35 milhões de euros com esta operação financeira. Qual a taxa de juro? Qual o objetivo da emissão? Quais os riscos? Saiba tudo aqui.

1. Quando posso subscrever as obrigações do Benfica?

A oferta pública de subscrição arranca já esta segunda-feira, dia 29 de junho, terminando no dia 10 de julho. Isto quer dizer que poderá subscrever estas obrigações encarnadas durante este período. Mas antes de o fazer deve procurar informação sobre a operação, nomeadamente o retorno do investimento e os riscos. No dia 13 são conhecidos os resultados finais da oferta.

2. Como funciona o empréstimo obrigacionista?

Uma empresa realiza um empréstimo obrigacionista quando pretende obter dinheiro do mercado com determinado objetivo. Para tal, emite obrigações (títulos de dívida) para alguém comprar, comprometendo-se a pagar uma taxa de juro. Neste caso, tratando-se de uma oferta pública, qualquer pessoa pode subscrever.
Quem quiser participar na operação basta ir ao banco e falar com o gestor de conta, que poderá dar mais informações sobre todo o processo. É recomendável que o faça, aliás, no caso de ter dúvidas sobre o que está em causa, uma vez que que é o seu dinheiro que vai estar a investir.

3. Qual o retorno do investimento?

As obrigações têm a maturidade de três anos, com maturidade em julho de 2023. Durante este período estes títulos pagarão uma taxa de juro bruta de 4%. Na prática, se investir 1. 000 euros, receberá um juro anual bruto de 40 euros. Atenção: deste valor terá de subtrair os impostos e outros encargos, nomeadamente com comissões ao banco, que reduzem o retorno que se extraem destes títulos de dívida. Assim, ao final dos três anos, receberá 120 euros (descontando impostos e comissões) mais os 1. 000 euros investidos inicialmente. 

4. Para que é que o Benfica pretende o dinheiro?

De acordo com o o prospeto enviado à CMVM, o dinheiro obtido com esta operação servirá para os encarnados reforçarem a liquidez da sua tesouraria na sequência do reembolso do empréstimo obrigacionista denominado Benfica SAD 2017-2020, sendo que parte dos fundos também será utilizada no desenvolvimento da sua atividade corrente.
Embora o Benfica pretenda financiar-se em 35 milhões de euros, os encarnados podem aumentar a oferta de subscrição caso se verifique uma elevada procura. Se o fizer, terá de anunciar essa decisão até 8 de julho.

5. Quais os riscos de investir nas obrigações?

É uma das questões mais importantes quando estamos a falar das nossas poupanças: qual o risco de perder o dinheiro?
Estes títulos comportam algum risco e por isso é que a taxa de juro é relativamente elevada face à outros produtos de investimento, nomeadamente depósitos ou certificados do Tesouro. Por outro lado, não acarretam tanto risco quanto uma ação.
Dito isto, importa sublinhar ainda que o risco está também ligado à própria entidade que emite as obrigações. No prospeto, a SAD do Benfica elenca vários riscos que podem comprometer as suas finanças e, por consequência, a sua capacidade de devolver o dinheiro que investiu.
Por exemplo, a pandemia de Covid-19 poderá ter um sério impacto nas contas da SAD. O Benfica refere que por causa dos jogos à porta fechada vai perder uma receita de 5 milhões de euros. Mas os efeitos poderão ser maiores, com os encarnados a dizerem que “não é expectável que ocorram alienações de direitos de atletas relevantes até ao final da época 2019/20, recorrente e significativa fonte de receitas do emitente”.
Há mais riscos: se os resultados em campo não forem positivos, isso poderá refletir-se em menos receitas com prémios da UEFA e com transferência de jogadores.
São ainda destacados os riscos relacionados com processos judiciais em que o emitente está envolvido, embora os encarnados digam que não esperam um impacto significativo nas suas contas.

6. Quanto custa a operação?

Serão emitidos 35 milhões de euros em obrigações mas esse não será o encaixe da SAD benfiquista, que só vão obter 33,8 milhões. Os encarnados vão ter de assumir encargos de cerca de 1,2 milhões de euros com a montagem de toda a operação. 
Terá de pagar aos bancos que vão dirigir a operação. As comissões de organização e colocação dos títulos e respetivos impostos ascenderão a 955 mil euros.
Além destes encargos, a Benfica SAD terá custos de 210 mil euros com consultores, auditores e publicidade e 33 mil euros pelo registo da operação na CMVM, Interbolsa e Euronext.

7. Vale a pena investir?

Dependerá, em última instância, do seu perfil de investidor. Se for conservador, talvez não seja o investimento mais adequado. Se gosta de assumir algum risco e compreender o que está em causa nesta operação, o juro de 4% poderá ser interessante face aos outros produtos de poupança e investimento.
Seja como for, procure informação junto do prospeto da operação e junto do banco.