O futebol feminino está cada vez mais em voga,  em Portugal e pelo mundo inteiro. Mas até que ponto conseguem as futebolistas alcançar o sucesso financeiro num desporto marcadamente masculino? Poderá uma jogadora de futebol feminino ganhar tanto como um jogador de futebol? Bom… depende.

No nível de topo, pelo menos, há mulheres que conseguem rivalizar com os futebolistas. É o caso de Alex Morgan, a jogadora da selecção feminina dos Estados Unidos, que ganha cerca de 2,8 milhões de euros por ano. A atleta norte-americana consegue fazer tanto dinheiro como o jogador médio do AC Milan, e quase o dobro do que recebe um jogador do Valência, segundo os números compilados pela Global Sports Salaries.

Os números são surpreendentes, mas se compararmos com a realidade portuguesa, a discrepância é ainda mais acentuada. Morgan ganha nada mais, nada menos do que oito vezes o salário médio na liga portuguesa em 2014 (último ano para o qual há dados).

Mas as principais fontes de rendimento de Alex Morgan não são, ao contrário do que poderia pensar, o contrato que a liga ao Orlando Pride. Pelo contrário, mais de 90% do que Morgan recebe vem da longa lista de patrocinadores que a atleta representa: Nike, Coca-Cola, McDonalds, Nationwide Insurance e até a Tampax.

E claro, neste texto comparámos a jogadora mais bem paga do mundo com médias salariais de clubes. Se a comparação fosse com o seu homólogo masculino – isto é, o jogador mais bem pago do mundo –, as conclusões seriam naturalmente bem diferentes. É que o Rei dos rendimentos, Cristiano Ronaldo, faz mais de 80 milhões de euros por ano, entre salários e patrocínios. Ou fazia, em 2015 – isto porque o valor reportado ainda não inclui a milionária renovação salarial fechada há semanas. Tudo somado, o jogador mais bem pago do mundo ganha quase 30 vezes mais do que a jogadora mais bem paga.

Movimento #Equalplayequalpay , a favor da igualdade salarial
Movimento #Equalplayequalpay , a favor da igualdade salarial

Entretanto, as possibilidades de surgirem outra Alex Morgan continuam a crescer cada vez mais. A sua agente, Dan Levy, conta que “nos Estado Unidos há milhões e milhões de meninas a praticar este desporto começando cada vez mais novas”.

Claro que o caso de Morgan é excepcional e, como no futebol masculino, duas realidades diametralmente opostas coexistem num mesmo desporto. No Reino Unido, por exemplo, são algumas as atletas profissionais que se conformam com uns meros 74 euros semanais, enquanto outras ganham quase 100 mil euros por ano.