Foto: The Livery

Já imaginou um “crossover” entre o futebol e corridas de carros? Não precisa de o fazer, basta recordar a inovadora iniciativa do Superleague Formula. Entre 2008 e 2011, vários clubes de futebol de diferentes pontos do mundo vestiram a pele de carros de competição, bastante semelhantes aos carros de Formula 1 da época. Desde o FC Porto e Sporting CP até ao Flamengo e Beijing Guoan, mais de duas dezenas de clubes aderiram à Superleague Formula. O projeto tinha tudo para dar certo, mas acabaria por terminar num piscar de olhos.

Ler mais: Quanto ganha um jogador de FIFA?

A primeira corrida da Superleague Formula só teve lugar em agosto de 2008, mas a ideia de associar o futebol com corrida surgiu nos primórdios de 2001, com o projeto Premier 1 Grand Prix. Esta proposta nunca chegaria a avançar, mas lançou as bases para Alex Andreu and Robin Webb readaptarem o projeto e darem vida ao mesmo. A Federação Internacional do Automóvel (FIA) aprovou o projeto dos dois empresários em 2005, mas a competição só teria o seu início três anos depois. À primeira vista, o futuro era risonho: vários clubes de futebol mostrarem interesse em explorar as sinergias entre o futebol e as corridas; a imagem dos clubes em causa iria percorrer várias partes do mundo; a própria competição iria aproveitar o fenómeno “futebol”, um dos desportos mais famosos do mundo. Até trouxe um “cheirinho” de Formula 1 de volta ao Autódromo do Estoril.

Carro do Futebol Clube do Porto (Fonte: Wikipédia)

A primeira temporada teve o “pontapé de saída” no Donnington Park, no Reino Unido. A equipa do Beijing Guoan, eventual vencedor da “Liga”, conquistou a vitória. Por fim-de-semana, um milhão de euros era distribuído pelas equipas, algo curto comparado com as grandes competições automóveis mundiais. Apesar do impacto “positivo”, de acordo com os representantes da competição, faltava algo: um main sponsor. Como tal, a Sonangol deu a liberdade financeira que a competição precisava. A Sonangol, empresa angolana do ramo petrolífero, foi o patrocinador principal da competição nas temporadas de 2009 e 2010.

E tudo a Sonangol levou…

Apesar da chegada de um patrocinador principal, os prémios por fim-de-semana baixaram drasticamente para 330 mil. O verdadeiro “boom” da Superleague Formula surgiu em 2010. Nesse ano em que a competição contou com um número recorde de equipas (10) e de pilotos (34). Quanto aos prémios, a organização decidiu aumentar o prémio de campeão final para um milhão de euros.

Carro do Sporting CP (Fonte: SpeedSportMagazine)

Contudo, este foi o ponto de viragem no sucesso da Superleague Formula. A Sonangol decidiu não renovar o contrato de patrocínio com a competição, deixando a Superleague Formula main sponsor. Os organizadores tiveram que repensar todo o projeto, visto que a ausência de patrocinador afastou vários clubes da competição. Dos 18 clubes da temporada de 2010, apenas seis continuaram.

O início do fim

Como tal, surgiu a Superleague Fórmula Nations Cup que, apesar de salvaguardar os interesses dos seis clubes que pretendiam continuar na competição, foi adoptada o sistema de nações em vez de clubes, com os clubes (Atlético de Madrid, Anderlecht, Bordéus, Galatasaray, PSV e Sparta de Praga) a representarem a sua nação. Isto retirou toda a essência do projeto original, perdendo a fator que o desmarcava das restantes competições automobilisticas. A última temporada (2011) teve, inclusive, um fim abrupto. Devido à falta de condições e desacordos na estruturação de pistas, várias corridas foram canceladas. Por fim, a machadada final na Superleague Formula  deu-se quando a FIA obrigou a organização a deixar de utilizar a denominação “Nations Cup”, devido a direitor de autor.

Em menos de quatro anos, a Superleague Formula nasceu, cresceu e caminhou rapidamente para o seu desaparecimento. Será que alguma vez surgirá um projeto semelhante?