A notícia caiu como uma bomba. Os problemas com o fisco espanhol, associados à falta de protecção do Real Madrid e até a alguns assobios ouvidos no Santiago Bernabéu durante a época passada, fizeram Ronaldo perder a paciência e anunciar – por agora apenas em privado – que vai mesmo bater com a porta. Mas as notícias que se seguiram foram ainda mais inesperadas. Segundo informações veiculadas pela imprensa internacional, o número 7 madrileno poderia render aos cofres do Real qualquer coisa como… 200 milhões de euros. Se for verdade, não será apenas um, mas dois, os recordes que Ronaldo vai bater.

Comecemos pelo início, que é a fonte das notícias. A este ponto é tudo especulativo, e o que se sabe vem da sempre prolífica imprensa espanhola (e da não menos contida imprensa inglesa). De acordo com as informações disponibilizadas, o Manchester United poderia estar disposto a desembolsar qualquer coisa como 200 milhões de euros para voltar a contratar o jogador que Alex Ferguson moldou há mais de 10 épocas atrás. Já o Paris-Saint German teria acenado com uma oferta potencial ligeiramente mais baixa. Numa ‘segunda linha’ estariam vários clubes chineses, que têm vindo a apostar forte no mercado europeu.

Se Ronaldo saísse mesmo por 200 milhões de euros passaria automaticamente para o primeiro lugar das transferências mais caras de sempre. Na verdade, ficaria bem distanciado do segundo lugar, neste momento ocupado por Pogba, com exactamente o dobro do valor do terceiro classificado, o colega de equipa Gareth Bale. A tabela de baixo mostra esta contabilidade virtual, num cenário em que Ronaldo saía mesmo do Real pelos valores referidos.

Mas não seria só o recorde do valor a ser batido. Esta seria também a primeira vez na história que o primeiro lugar do ranking das transferências seria ocupado por um jogador com mais de 30 anos, uma idade considerada ‘avançada’ para um jogador de alta competição e na qual, por norma, já não se fazem vendas milionárias.

De facto, por norma as grandes transferências costumam ser feitas quando os jogadores estão em idades mais tenras. Pogba passou para o primeiro lugar quando tinha 23 anos, a mesma que tinha Bale quando trocou o Totenham pelo Real Madrid. O próprio Ronaldo, por sua vez, tinha 24 anos quando saiu de Manchester. Na lista das 20 maiores transferências, de resto, o jogador mais velho é Hulk, que rumou do Zénit para a China quando tinha 29 anos. A imagem de baixo mostra como quase metade do TOP 20 tinha entre 27 e 28 anos quando entrou para a tabela.

Será mesmo possível que Ronaldo custe tanto?

Questão diferente, claro, é saber se a transferência vai mesmo realizar-se, sobretudo numa altura em que se especula que as notícias de propostas milionárias não passarão de uma estratégia montada pelo empresário de Ronaldo, Jorge Mendes, para renegociar em alta o contrato que une o craque ao Real Madrid. Até que ponto é verosímil que clubes como o Manchester ou PSG estejam mesmo dispostos a desembolsar quase 200 milhões por um jogador com 32 anos?

A idade tem obviamente o seu peso. Ronaldo custou 94 milhões de euros quando tinha 23 anos, e hoje tem uma esperança de vida desportiva menor do que na altura. Apesar de haver quem diga que Ronaldo pode jogar quase até aos 40 anos – o próprio parece comungar dessa ideia – todos sabemos que um jogador com quatro décadas não é capaz de fazer o mesmo que um com trinta anos.

Basta relembrar, aliás, o facto de o eterno capitão da Roma, Totti, ter acabado a carreira sentado no banco da equipa. Nem os deuses fogem aos rigores da idade. De resto, a avaliação do preço de mercado feita pelo site Transfermarkt também mostra bem como o passar dos anos afecta o preço de um activo, mesmo quando esse activo se chama Ronaldo.

Porém, a verdade é que Ronaldo continua, aos 32 anos, a ser uma máquina de golos. Apesar de estar mais velho do que quando chegou ao Real, as perspectivas futuras para a sua capacidade goleadora são porventura mais optimistas – e isso, em princípio, devia influenciar o preço.

Coloquemos as coisas nesta perspectiva: o avançado mais caro de sempre foi Higuaín, que foi contratado pela Juventus após ter conseguido marcar uma média de 0,9 golos por jogo ao serviço do Nápoles. Chegado a Turim, voltou à média habitual: pouco mais de um tento por jogo. Se com este track record Higuaín custou 90 milhões, será assim tão disparatado esperar que um jogador com uma média quase duas vezes superior custe mais ou menos o dobro?

A isto soma-se outro facto: para além do que rende em campo, Ronaldo também significa muito dinheiro fora dele. O Real Madrid, por exemplo, tem sabido rentabilizar a imagem do craque, apostando no merchandising e outras formas conexas de monetizar a ‘marca’ Ronaldo. O contrato vitalício com a Nike, no valor de 1000 milhões de euros, mostra bem o valor que um futebolista pode hoje em dia gerar em termos financeiros.

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