Cerca de 72% dos clubes da I Liga trocaram de treinador num só ano. O valor, surpreendente, coloca Portugal como um dos países europeus onde a taxa de rotação de técnicos é mais alta. E foi divulgado pela UEFA num ambicioso estudo que passou a pente fino mais de 30 países e 60 ligas profissionais.

Que ser treinador não é fácil é algo que os adeptos portugueses já sabem há muito. Ainda esta semana o próprio Jorge Jesus ouviu apupos dos adeptos sportinguistas, o que mostra bem como em Portugal o percurso do céu ao inferno pode ser surpreendentemente rápido. Quando a época começa logo a correr mal, muitos não chegam sequer a “aquecer o banco”.

O que o estudo da UEFA mostra é que a percepção dos adeptos – e de outros observadores – tem razão de ser e é confirmada pelas estatísticas. No caso da I Liga, a taxa de rotação de 72%. No caso da II Liga, a percentagem de clubes que mudou de treinador em 2014/15 – a época analisada pela UEFA – sobe para 75%. Isto é, cerca de três quartos dos clubes mudaram de timoneiro.

Há outras ligas profissionais com números bem mais dramáticos. Mas são sobretudo campeonatos menos desenvolvidos: Bulgária, Arménia, Malta e Roménia. Dos cinco grandes europeus (Espanha, Inglaterra, Alemanha, França, Itália) só um tem uma taxa de rotação mais alta: a Itália, onde 78% dos clubes mudaram de treinador.

«Com apenas umas pequenas excepções, o mapa da segurança desportiva mostra bem que quanto mais nos movemos para Sul na Europa menos paciência os clubes têm com os seus treinadores», lê-se no relatório.

Portugal também é dos países onde a idade média dos treinadores é mais baixa. Segundo a UEFA, em 2014/15 os técnicos de clubes da I Liga tinham em média 49,4 anos. No caso da II Liga, a idade média descia para 45,9 anos.

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