Perante a ameaça dos clubes das ligas profissionais espanholas, que por várias vezes ponderaram boicotar o campeonato, a Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) viu-se obrigada a reformular o modelo de atribuição de prémios e o contrato de concessão dos direitos de transmissão televisiva dos jogos com clubes espanhóis.

O sistema utilizado na presente época funciona como em Portugal, prevendo a possibilidade de os clubes negociarem contratos individualmente. Como consequência, os clubes de maior dimensão (Barcelona e Real Madrid) conseguem contratos que chegam a ser três vezes superiores ao contrato do Atlético de Madrid e sete vezes superior ao valor mais baixo auferido por vários clubes da La Liga.

Além disso, é atribuído um prémio a cada clube, com receitas provenientes de um fundo de patrocínios da Liga, dependendo da posição final no campeonato, sendo que o último classificado receberá 500 mil euros, o penúltimo receberá um milhão de euros e assim sucessivamente até ao primeiro classificado, que auferirá 10,5 milhões.

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As desigualdades que este sistema promove originaram protestos que, em última instância, levaram a RFEF a procurar um novo modelo de distribuição de prémios. A federação espanhola assinou recentemente um contrato de 2,4 mil milhões de euros com a Telefónica e a Mediapro, no qual cede os direitos televisivos das ligas espanholas e das competições da UEFA por um período de três anos. O novo contrato foi negociado colectivamente e permite um aumento das receitas de todos os clubes das divisões de topo masculinas (especialmente os mais pequenos) e ainda apoiará o futebol feminino.

Mais especificamente, 93% do valor contratualizado (2,32 mil milhões de euros) será distribuído por todos os clubes 1.ª e 2.ª ligas; 3,5% será atribuído aos clubes despromovidos da La Liga; 3% dirá respeito a gastos administrativos e ao sistema da RFEF; e 0,5% será alocado ao desenvolvimento do futebol feminino em Espanha.

Este modelo contribui para o aumento da meritocracia na repartição de rendimentos, visto que a fórmula de cálculo dos prémios tem em conta uma maior percentagem dependente dos resultados dos clubes. Metade (50%) do valor alocado à 1.ª liga espanhola é distribuído igualmente pelas 20 equipas, totalizando uma receita mínima garantida de 50 milhões de euros. Outros 25% serão baseado no mérito, ou seja, na classificação das três últimas épocas. E, por último, os restantes 25% terão em conta a capacidade do clube para gerar receitas (de bilheteira e quotizações, maioritariamente).

Utilizando os dados da época actual, a tabela apresenta uma estimativa da dinâmica dos prémios que a RFEF atribuirá já a partir de 2016/17.

Este novo sistema deriva de uma lei aprovada em Abril de 2015 e entrará em vigor na próxima época, ainda que o acordo de cessão dos direitos televisivos das competições já tenha sido posto em prática na corrente época desportiva.

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