Relatório da FIFA sobre o mercado confirma que Portugal é o maior mercado exportador de talentos do mundo do futebol numa altura em que a maioria dos países entra no último mês do mercado de transferências.

Entre 1 de Junho e 29 de Julho, os clubes portugueses arrecadaram um total de 230 milhões de euros com a venda de jogadores. O Market Insights: Big 5 Mid Summer Report, elaborado pela FIFA no âmbito do mecanismo Transfer Matching System (TMS), indica que Portugal é o maior mercado exportador do mundo do futebol.

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Mais. O relatório da FIFA confirma de alguma forma a imagem de que a Liga portuguesa é a melhor do mundo na valorização dos seus jogadores. Isto é, os clubes portugueses estão entre os melhores no desenvolvimento de jogadores: forma ou compra barato o jogador, potencia-o e consegue realizar mais-valias significativas. Neste defeso, a balança comercial futebolística portuguesa (diferença entre as receitas com a venda de jogadores e as despesas com a compra de jogadores) apura até agora um saldo extremamente positivo, de 200 milhões de euros.

As transferências de Jackson Martínez (do FC Porto para o Atlético Madrid por 35 milhões de euros) ou de Ivan Cavaleiro (do Benfica para o Mónaco, por 15 milhões de euros) estão entre as 133 vendas realizadas pelos clubes portugueses durante este período – cada jogador vendido custou em média 1,73 milhões de euros.

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Os clubes portugueses continuam bastante comedidos na hora de atacar o mercado. Neste capítulo sobressai a aquisição do médio francês Imbula por parte do FC Porto (por 20 milhões de euros), que representa dois terços dos gastos com transferências de jogadores em Portugal – cada um dos 88 jogadores comprados custou em média 340 mil euros.

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Em relação ao mercado internacional, os clubes ingleses continuam a ser os mais gastadores. Já despenderam um total de 376 milhões de euros em 188 jogadores, embora sublinhe-se que muitas transferências são realizadas dentro do próprio mercado. A compra de Sterling por parte do Manchester City ao Liverpool por cerca de 70 milhões de euros.

Ainda assim, não deixa de ser revelador da má política (ou do elevado poder financeiro) dos clubes ingleses o facto de registarem até ao momento um saldo negativo de quase 300 milhões de euros, o que significa que a maior parte das aquisições são feitas no exterior. Em média, cada jogador é vendido por menos de 500 mil euros neste defeso. Por contrapartida, cada aquisição custa em média dois milhões de euros.

O cenário de défice não é caso único em Inglaterra. Também Itália e Espanha registam défices comerciais no futebol de 100 milhões e 50 milhões de euros, respetivamente. Na Alemanha, o rigor e disciplina germânicos transparecem-se nos 15 milhões de euros de saldo positivo que os clubes apuram até ao momento. Já França regista um saldo bastante interessante, na ordem dos 120 milhões.

Face à experiência do ano passado, o mês de Agosto deverá será mais intenso ao nível do mercado de transferências, à medida que o defeso se aproxima do fim em muitos países.